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Biscoitinho Integral
Pitas
YAHOO!
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quarta
Béradêro
Os olhos tristes da fita
Rodando no gravador
Uma moça cosendo roupa
Com a linha do equador
E a voz da santa dizendo
O que é que eu tô fazendo
Cá em cima desse andor
A tinta pinta o asfalto
Enfeita a alma motorista
É a cor na cor da cidade
Batom no lábio nortista
O olhar vê tons tão sudestes
E o beijo que vós me nordestes
Arranha céu da boca paulista
Cadeiras elétricas da baiana
Sentença que o turista cheire
E os sem amor os sem teto
Os sem paixão sem alqueire
No peito dos sem peito uma seta
E a cigana analfabeta
Lendo a mão de paulo freire
A contenteza do triste
Tristezura do contente
Vozes de faca cortando
Como o riso da serpente
São sons de sins não contudo
Pé quebrado verso mudo
Grito no hospital da gente
São sons são sons de sins
São sons são
São sons
Não contudo fé
Chico Cesar
abraços
tottem
sétimo dia
O artista inconfessável
Fazer o que seja é inútil.
Não fazer nada é inútil.
Mas entre fazer e não fazer
mais vale o inútil do fazer.
Mas não, fazer para esquecer
que é inútil: nunca o esquecer.
Mas fazer o inútil sabendo
que ele é inútil, e bem sabendo
que é inútil e que seu sentido
não será sequer pressentido,
fazer: porque ele é mais difícil
do que não fazer, e dificil-
mente se poderá dizer
com mais desdém, ou então dizer
mais direto ao leitor Ninguém
que o feito o foi para ninguém.
João Cabral
abraços
tottem
O rio
Ser como o rio que deflui
Silencioso dentro da noite.
Não temer as trevas da noite.
Se há estrelas no céu, refleti-las
E se os céus se pejam de nuvens,
como o rio as nuvens são água,
Refleti-las também sem mágoa
nas profundidades tranqüilas.
Manuel Bandeira
quarta
Só isto, a vida
– ou nisto resumida.
Só isto, a vida humana:
um breve rastejar, entre o Big Bang e o Apocalipse
(se é que houve um
e que haverá o outro).
Certo, o rastejar.
(...)
Pedro Lyra
preparando a alma para alumiar
II
De pé, Diego observava insistentemente o velho que, debruçado sobre uma escrivaninha, se encontrava de costas e penumbrado numa poltrona antiga. O vulto dizia ao rapaz que o velho era magro. O ambiente era asseado, o assoalho refletia uma luzinha fraca que vinha do corredor. E o velho, compenetrado, não se pronunciava. Sentindo necessidade de conhecer o negócio, Diego se manifestou: Senhor…, disse tímido. O velho demonstrou impaciência. Terminou de rabiscar algumas coisas num misterioso papel e pôs-se na frente de Diego, analisando-o, calado. Depois de alguns segundos, esboçou um sorriso amarelo e disse as primeiras palavras, com um sotaque carregado, cuja origem Diego não conseguiu distinguir.
Bom dia, rapaz Diego. Esperava pelo senhor – disse, com um bafo quente, a frase que passou rígida pela dentadura mole. Acendeu a luz, e sua figura, em princípio sinistra, se abrandou um pouco. Olhos claros, espessa cabeleira branca, nariz fino e queixo longo. O velho era realmente magro e vestia um paletó marrom, cujo número aparentava ser maior do que devia. Tentou ser delicado nos modos, mas Diego sentiu certa artificialidade nos gestos. No entanto, como era o primeiro contato, entendeu-o como sendo formalidade rotineira. Aceitou o assento oferecido pelo homem. Sem dizer palavra, o velho volteou o cômodo, ajeitando-o a fim de torná-lo mais agradável para o visitante. Abriu as cortinas, revelando janelas protegidas por telas de espessura fina, tirou os papéis, antes sobre a escrivaninha, e colocou-os num arquivo ao canto esquerdo daquilo que seria o escritório, arrumou rapidamente os livros numa estante alta e colocou, numa vitrola, uma música melancólica.
- Te agrada, rapaz?
Diego assentiu tibiamente com a cabeça, não definindo lá a sua resposta. O velho, como notasse a ignorância, sorriu e desligou o aparelho.
- Chopin, rapaz… Chopin. Não é coisa pra se desconhecer ou pra se ouvir desconhecido. Imaginei que cuidava os clássicos. Mas não é vergonha não conhecer… vergonha é não buscar… vergonha é não buscar…
Idiota! Riso besta! O que sabia de vergonha para falar com tanta propriedade? E buscar, buscar… buscar o quê, porra? Ele sempre teve uma vida não muito confortável. Sua infância foi difícil. Depois que o pai foi demitido da fábrica, seus dias nublaram-se. Ligado somente ao presente, não se permitia a mazelas pretéritas ou a projetos futuros, nunca foi dado às coisas do sentimento, frivolidades, fato que endureceu seus nervos, mas que amoleceu um pouco seu caráter; primeiro a barriga, depois a moral, dizia seu pai. Ensaiou um tapa no coração em busca do cigarro, mas o velho objetou ríspido, sem cigarros, rapaz. Trouxe de vinho um cálice que silenciou os pensamentos do rapaz e acomodou-se no recinto agora preparado para a conversa.
abraços
tottem
Mais uma tentativa...
I
À hora do desjejum, Diego recebera aquela carta. Ouviu o apito do rapaz do correio e, acompanhado do café quente que lhe queimara a língua, partiu cansado para sua caixa pouco freqüentada de lembranças ou mensagens. Voltando para sua poltrona, enquanto sorvia o café, Diego contava os números que se somavam nas taxas. Preguiçoso, largou os impostos sobre um móvel antigo e leu o convite escrito numa letra trêmula postado para ele. Dizia que viesse pois precisava de seus serviços e ponto. Sem nome, só endereço.
Aquele dia fora iluminado para Diego. Acordara sem pressa, como noutros dias de sua pobre existência. Mas era diferente. Diego, não sabia por que, sentia-se útil - ou que teria utilidade para alguma coisa. Diante do espelho, barbeou-se depois de jogar o cigarro na privada. Vestiu o tergal e partiu rumo ao endereço da missiva.
Andava pelo passeio, pensando que aquele fio de concreto era quadrado como sua vida, com esquinas previsíveis e munido de uma convivência pacífica entre excremento de animais e cheiro bom de refogados que vinha das casas. Do outro lado da rua, se erigia um edifício antigo, que guardava outrora uma sala de cinema, onde assistia às películas de bangue-bangue na infância e da qual saía correndo com os guris imitando as sacadas belicosas de Wayne ou montando o primeiro cão vadio que suportasse seu peso de Zorro. Hoje a sala tem outros falsos heróis, que portam armas sagradas que não cospem balas, mas antigas palavras que alentam sofrimentos alheios e que vendem por módica quantia felicidade e paz a espíritos cansados de tanta penúria. Os pastores conduzem seu rebanho. Àqueles interessa o sacrifício; a estes, a salvação e o pasto. É uma engrenagem porca e suja em seu desfecho, mas, talvez, limpa no começo. Enfim, como em qualquer outro relacionamento, há um idílio pútrido, uma mórbida co-dependência afetiva, entre algoz e vítima. Àquele interessa a salvação e o pasto; a esta, o sacrifício.
Estava, por fim, diante da casa. Alvas e iluminadas, no quintal, plantavam-se esculturas míticas que poderiam ser clássicas. Assim como o portão, a porta de entrada estava aberta. Esta dava para uma sala pequena possuidora de uma escada firme de madeira preta e velha que, em rodopios, o conduziria ao segundo andar da casa antiga. Que cheiro bom de passado! Se lembrou da infância, dos avós. Negros, o assoalho, a cristaleira e os degraus escureciam o cômodo que era invadido por uma réstia de luz do sol matinal, a qual não conseguia vingar no recinto. Na casa da roça, era assim; talvez um pouco mais de vida, talvez um pouco mais de dentes, de alegria. Os seus passos, no assoalho que fugia percutindo sob seus pés, lembravam os do seu pai trancado.
abraços
tottem
quarta alterada
Quem é homem de bem não trai
O amor que lhe quer seu bem
Quem diz muito que vai, não vai
Assim como não vai, não vem
Quem de dentro de si não sai
Vai morrer sem amar ninguém
O dinheiro de quem não dá
É o trabalho de quem não tem
Vinícius / Baden
abraços
tottem
terça forte12:12 p.m.
Jorge da Capadócia
Jorge sentou praça
na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também
sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas
e as armas de Jorge.
Para que meus inimigos tenham pés
e não me alcancem.
Para que meus inimigos tenham mãos
e não me toquem.
Para que meus inimigos tenham olhos
e não me vejam.
E nem mesmo um pensamento eles possam ter
para me fazerem mal
Armas de fogo
meu corpo não alcançarão
Facas e espadas se quebrem
sem o meu corpo tocar.
Cordas e correntes arrebentem
sem o meu corpo amarrar.
Pois eu estou vestido com as roupas
e as armas de Jorge
Jorge é de Capadócia
Salve jorge!
quarta mareada
Miragem do porto
Eu sou aquele navio,
no mar, sem rumo e sem dono.
Tenho a miragem do porto
pra reconfortar meu sono
e flutuar sobre as águas
na maré do abandono.
Ê, lá no mar
eu vi uma maravilha
vi o rosto de uma ilha
numa noite de luar.
Eta, luar!
Lumiou o meu navio
quem vai lá no mar bravio
não sabe o que vai achar.
E sou a ilha deserta
onde ninguém quer chegar,
lendo a rota das estrelas
na imensidão do mar
chorando por um navio
- ai, ai, ui, ui!
que passou sem avistar.
Lenine
abraços
tottem
terça convulsa
sou um móbile solto num furacão
qualquer calmaria me dá solidão.
Paulinho Moska
sem nada melhor... música nova
sem nome
Olha, vem cá e me diz
o que eu faço com esse ódio
que você largou aqui
Não dá pra comer com feijão
não dá, não dá pra engolir
Mandar para o Azerbaijão
Pra Calcutá, Nova Deli
Não dá para beber com limão
não dá para retê-lo nas mãos
Por que você esqueceu ele aqui?
Olha, vem cá e me diz
o que eu faço com esse ódio
que você largou aqui?
Revira na boca do bruxo
não é artigo de luxo
não respeita classes sociais
- pobre ou rico, tanto faz
O ódio não se mascara
o ódio estampa na cara
o ódio escancara os dentes
o ódio explode na gente
Refrão
O ódio rejeita o medo
o ódio - não dá pra medir
o ódio causa um desassossego
em quem o quer sentir
O ódio vasculha o passado
estabelece o futuro
o ódio é cego e sem rumo
o ódio é a casca e o sumo
Navega por vastos mares
mas, se atraca, bate e ancora
o ódio se demora
o ódio não marca hora
O ódio é irmão da raiva
o ódio é filho da ira
desejo reprimido
mas, se aflora,
transborda e alucina
O ódio, quando alcança o sertão,
lá o ódio tem outro nome
lá ele se chama fome
O ódio, misturando loucura e medo,
fundou civilizações pelo mundo inteiro
Quem tem ódio, quem tem ódio
quem tem ódio para dar?
Quem quer ódio, quem quer ódio?
pode vir, pode pegar...
Quem quer ódio, quem quer ódio?
Olha é pegar ou largar.
abraços
tottem
início de uma história
- Diego, traga-me uma abelha morta, e guarda-me o cheiro do mel num pote.
Pedro entregou-me estas notas a cerca de um ano. Li-as, reli-as, transli-as. Certo era que, substancialmente, nada de estimulante havia nelas - espécie de memórias, chamaria eu. Mesmo... repleta de clichês: flores, fragrâncias, mortes, sensações. No entanto, não podem ser chamadas de memórias anotações que não possuam a marca de um tempo passado. De tempo passado mesmo, passado próprio, só havia aquelas palavras, plenas de um passado instantâneo para Diego. Não posso afirmar ainda, categoricamente, que aquele gênero poderia ser denominado, a rigor, memórias, já que diziam respeito, não a Diego, mas a outrem - ainda que memórias tratem mais a vida dos nossos pares do que a que nos pertence. Todavia, para fins classificatórios que podem vir a facilitar a apreensão dos escritos, chamemos memórias, como me pediu Diego.
Começarei por dar as minhas impressões a respeito de Diego: indivíduo medíocre, desempregado que vivia de curtos serviços. Quanto a sua índole, só posso afirmar que era um tanto duvidosa - parecia-me ter ele um caráter esquivo. E observador. Diego era um atento observador - como todo bom medíocre que se preze. Nada mais posso dizer.
As anotações, Diego pediu-me que as romanceasse. Somente. Não me deu o nome do velho, e, para efeito de estilo, não inventarei um, mantendo assim um mistério que adocica insossa história.
tottem
sexta
Riscos
Uma pedra paraboliza-se
no céu próximo.
Queda e atinge
a face quebradiça da água.
Desfaz-se em círculos
hiperbolizantes
que atingem os pés
de quem a pedra lança.
A retina se liga
- com traço que dança -
ao que a mão não alcança.
tottem
sexta saudosa
Quando eu morrer, enterrem meu coração na Curva da Jurema.
abraços capixabas
tottem
sabá
certidão
o ocidente é
um acidente
no oriente.
abraços
tottem
sexta de novos olhares sobre movimentos antigos
Dá lincença m'esta
fome,
barriga do homem
não é sua casa
dor,
peito do homem
não é seu apart-hotel
medo,
cabeça do homem
não é sua praia
infelicidade,
a vida do homem
não é seu metrô
Chico Cesar
quarta
Poema elaborado na última semana por uma criança de 12 anos. O Tema era "Criança"
Nota: se eu fosse o professor desse menino... daria um oito, no mínimo. As imagens geradas em decorrência da imposição das rimas ficaram muito gozadas.
Vida de criança
Criança tem que ser feliz
sem ruga no nariz
sem medo de chafariz
não corre do aprendiz.
Criança tem que ser contente
sem dor de dente
criança tem que ser igual a gente
que gosta de um misto-quente.
Criança tem que ser alegre
que gosta de um reggae
que curte como um jegue
a dança de uma lebre
Criança tem que ser amorosa
que dá rosa
que é carinhosa
não ser mimosa
Criança tem que ser legal
bem racional
não ser a maioral
que gosta de prova oral.
J. Moraes
"nascido em 1992 - hoje ele tem 10 anos (sic)".
- alucinado, não? rsrs
abraço
tottem
sexta-queira
Esta
Nenhuma mulher me basta
mesmo que se meta a besta
mesmo que se finja casta
venha rindo numa cesta
hare-khrishna, puta ou rasta
dei-me prazer, reza, êxtase
chegue quando o mal se afasta
nenhuma mulher me basta
a não ser esta...
assim é esta.
Que traga ouro na testa
de forma disforme e pasta
seja a única que resta
de matéria que não gasta
tenha gestos sem aresta
arte na festa nefasta
trigo pro pão, luz na fresta
nenhuma mulher me basta
a não ser esta...
assim é esta.
Fedra, Medéia, Jocasta
a cachorra da muléstia
peste que me arrasta
cura pra minha imodéstia
couro de anja, pele de ginasta
pôr-do-sol que me réstia
sou sozinho, a vida é vasta
nenhuma mulher me basta
a não ser esta...
assim é esta.
Chico Cesar
abraços
tottem
embalos de sábado em claro
incompleta..
.... às vezes fatos são
fragmentos de ilusão
e, então, eu desabo em dores.
você me aparece em pedaços
unidos num caleidoscópio
numa imagem que não é própria
- pessoas que já não são
bailando num turbilhão -
um mundo em construção
bóia na vaga da imaginação.
abraço
tottem
segunda mão
Juliana
Comprou batom e rouge para se pintar
anel, tiara e argola para se enfeitar
comprou saia rendada para ver o mar
Juliana foi bonita - beira do mar
Foi descalça para poder sentir a areia
Achou concha para adorno da cabeleira
Água-de-cheiro espalhou na praia inteira
e a lua, agora, era cheia
Juliana roda e, bailando, clareia
Uma rosa branca pendia em seu cabelo
Juliana a tirou e jogou no mar
Juliana, que rodava, parou para olhar
- Yemanjá veio para lhe saudar.
O mar molhou a barra da saia rendada
Juliana entrou na água,
me deu um beijou salgado
e mostrou o gosto do mar.
tottem
uma alegoria da modernidade para abrir a semana
O timoneiro
— Não sou acaso timoneiro? — exclamei.
— Tu? — perguntou um homem alto e escuro, e passou as mãos pelos olhos, como se dissipasse um so-nho.
Eu estivera ao timão em noites escuras, com a débil luz do farol sobre a minha cabeça, e agora tinha vindo aquele homem e queria pôr-me de lado. E como eu não cedesse, pôs o pé sobre meu peito e empurrou-me lentamente contra o solo, enquanto eu continuava sem-pre aferrado à roda do timão e a arrancava ao cair. Então o homem apoderou-se dela, pô-la em seu lugar e me deu um empurrão, afastando-me. Refiz-me depressa, contudo, fui até a escotilha que levava ao aloja-mento da tripulação, e gritei:
— Tripulantes! Camaradas! Venham depressa! Um estranho tirou-me o timão!
Chegaram lentamente, subindo pela escadinha, eram formas poderosas, oscilantes, cansadas.
— Sou eu o timoneiro? — perguntei.
Assentiram, porém apenas tinham olhares para o estranho, ao qual rodeavam em semicírculo, e quando com voz de mando ele disse: “Não me aborreçam”, reu-niram-se, olharam-me assentindo com a cabeça e des-ceram outra vez a escadinha. Que povo é este? Pensa também, ou apenas se arrasta sem sentido sobre a terra?
Franz Kafka
domingo e nada pra fazer
A vila II (Tempestade)
Um netuno azul
de olhos esbugalhados e barbas chamuscadas
urrava surdamente
no horizonte de seu oceano elétrico
Com suas belas ninfas, levava os braços para frente
e para trás, numa fúria serena
Como uma extensão do Deus,
braços marítimos se lançavam à areia
recuando, porém.
Um rio de eletricidade rasgava a vila
e alimentava o mar
Habitado por poraquês que, sem sentido, chocavam-se,
permitindo aqui e ali maravilhas ocasionais
- pequenas explosões intra-fluviais -
Nascia dos dedos infinitos de Iansã
cujos olhos espocavam em flashes
de pertinência estroboscópica
E, naquele silêncio atônito,
só se ouvia um som - afônico
ecos de fonemas, graves, consonantais,
ecos ouvidos na Vila
ecos produzidos na Vila
No entanto, sem nascer ou morrer na Vila
eco moto-contínuo
tottem
7 de setembro... independência de quem?
... se os romances regionalistas perdessem sua graça sertaneja. Se a genialidade dos Grandes Sertões se perdesse por picadas caatingueiras. Se as Searas de Jorge Amado deixassem de ser Vermelhas ou se as palavras de Graciliano ou de João Cabral perdessem sua secura anavalhada.
Governantes gostam de literatura.
tottem
quarta cansada
Prática milenar...
"- Se há, pois, alguém que seja lícito faltar à verdade, serão os governantes da cidade, os quais poderão mentir com respeito a seus inimigos e concidadãos, em benefício da comunidade, sem que nenhuma outra pessoa esteja autorizada a fazê-lo. E se um indivíduo enganar os governantes, será isso considerado uma falta não menos grave que a do doente ou do atleta que mente ao médico ou ao treinador em assuntos atinentes a seu corpo, ou a do marinheiro que não diz a verdade ao piloto sobre o estado do navio ou da tripulação, ou as condições em que se encontra ele ou qualquer de seus companheiros.
- Nada mais certo - disse Adimanto.
- De modo que, se o governante supreender algum outro a mentir na cidade (...), castigá-lo-á por introduzir uma prática tão perniciosa e subversiva na cidade."
A república, de Platão
tottem
segunda aberta
Abre a folha do livro
que eu lhe dou para guardar
e desata o nó dos cinco sentidos
para se soltar...
Beto Guedes
quarta brumosa
SONHOS I
A vila
E o silêncio ecoou na vila.
À galope, o turbilhão de imagens convulsas.
a medonha sombra abraçava cada canto,
beijava cada beco, roçava cada casa.
Figuras espectrais bailavam um balé ridículo.
levitavam freneticamente
numa ciranda pueril poeirosa
e, desatomizando-se, dissipavam-se pelo ar
qual hologramas voláteis.
Tudo era um silêncio de berçário.
De lá do morro
era um sentir terrivelmente alentador.
E, central, uma flor amarela
duma integridade monolítica
ignorava, estúpida, que a valsa apocalíptica
era para ela
só para ela...
tottem
pobres guardados
tens-me um fraco
de fato, fraco sou.
calo-me ante o grito que ressoa
encerro-me 'trás do falo que restou.
mas, se me falta a paixão,
se me guardo laico o peito,
a despeito de certas vilezas,
brada em mim um mundo quedo.
tottem
Domingo...
Vai ser trouxa na vida
Quando nasci,
um marmanjo roto
disse-me que, fosse qual fosse meu caminho
-reto, gauche ou coxo-
viveria e morreria como um pau torto,
posto que sou nascido do ventre de Vera.
"Nascido do ventre de Vera..."
- falo e sinto certo desconforto
assim...
como um aborto que culpa e pragueja a mãe
pela triste condição.
Vera...
Vera além, Vera aquém
Vera que de Santa nada tem
Vera que ainda contém
-talvez porque a ela convém-
a Cruz
entre as fartas tetas
de-veras ordenhadas.
tottem
Domingo...
Fé
Os sinos repicam velhos
na igrejinha da cidade, na praça
e anuncia aos seus fiéis:
hoje é dia de graça.
Ave, Maria!
seja por esse povo santo
que prossegue em romaria
cada qual derrama um pranto
Gente que tem casca triste
mas a alma é euforia
bota essa espinha em riste
numa força que arrepia
Mais parecem fio d'água
se irmanando aos ribeirões
que carregam aquelas mágoas
é a fé que tira o pó dos corações.
neomaltusianistas travestidos de São Francisco
As soluções paliativas para a miséria se fundamentam em um medo da classe dominante da nação: o de que a capacidade para morrer de seu povo passe a ser maior que a sua (classe dominante) capacidade para matar. E assim seguem neomaltusianistas cobertos por uma uma suposta nudez franciscana.
Abraço falsamente engajado
tottem
Minha monotonia é do Mingo
Ausência
meu bem, bem que você podia
pintar na sala
da minha tarde vazia
como uma poesia
Itamar Assumpção
pedaço noturno de um sábado americano na quinta
Poema bolado espontaneamente, no melhor bar de Friburgo ("América"), por uma rapaziada finíssima que toma pinga, fala alto e que ri de verdade.
Grande idéia gregária de Tiago Mello (não é o poeta amazonense; mas nem por isso é menos criativo).
Um brinde aos próximos "JOGÔCRIÔ" que virão.
Noites na américa de milhares de bares, América, americanos ares. Boemia do
bom papo, de papo para o ar, Brasil.
Com boa música e papo madrugada.
De bar em bar, tudo acontece.
Pessoas se encontram, idéias que surgem ao vento de um ventilador, que
espalha pensamentos gerados por doses seguidas de pingas.
Borboletas azuis bailam no ar do América.
E pousam serenas no nariz do guri.
Ele pisca uma...duas vezes..., ela voa
Voa e me escapa e assim me pego procurando-a e me vejo novamente perdida
nessa busca incessante...
Virgem de felicidade, novo nesse mundo enorme que me engole e sinto-me
inteiramente vazio, sozinho e sozinho como sempre fui. Eu quis ser teu
cúmplice, mas você foi embora, sem dizer porquê, sem dizer nada e o que me
faz ser assim, tão só, é a falto do seu amor, de fazer assim: amor...com você...
Beijo é como água salgada, quanto mais você bebe mais tem sede.
Mas ainda estou na busca. A incerteza muitas vezes faz parte de mim em uma
eloqüente decomposição do meu eu.
Numa alienação do espírito
Que segue no curso
Da nossa doce vida amarga.
Na incerteza do futuro, prefiro que fiquemos juntos.
Apesar dos contras, os prós, mesmo que paliativos, são válidos!
quarta melancólica03:02 p.m.
palavras...
palavras...
palavras...
eu já não agüento mais
palavras...
palavras...
palavras...
você só fala, promete
e nada faz
palavras...
palavras...
palavras...
desde quando sorrir
é ser feliz?
cantar nunca foi só de alegria
com tempo ruim
todo mundo também dá bom dia
Gonzaguinha
a terça de um antropófago hi-tech
o windows me pregou uma peça...
achou que eu ia ficar puto à beça
de fato, puto fiquei
taquei duas pedras nas suas janelas
e, na frente do monitor, sambei
o retorno da segunda
e se eu rasgasse o verbo?
acharia osso?
carne?
essência?
ou ainda seria o gosto insosso
da falência?
brizola? isola!
quem foi que disse que vaso ruim não quebra?
abraço
tottem
uma segunda qualquer
sujeito ou objeto
perder a medida espacial
me fez deus
estou a um só tempo
lá e
cá e
em nenhum lugar
sexta agonizante
escrevendo me crio
criando alteridade
à medida que transformo
sou linguagem
a transitoriedade do processo construtivo
na palma da mão.
só em mim cabe esse mundo
e outros
Decifra-me

Pablo Picasso
quinta-feira negra
Charles on my mind...
menos um grande Carlos no mundo
Mestre Jobim
vagamundo Chaplin
e o Ray cego... hit the road
luto blue
tottem
quarta-feira, quase meia-noite
Quando tiver saco, comentarei a seguinte piada:
Primera condena en Alemania para un ’pirata’ musical
Un joven internauta que se descargó ficheros musicales a través de un sitio de intercambios gratuitos fue condenado este martes por la justicia alemana a pagar una multa, en el marco del primer proceso a un ’pirata’ en el país, y deberá pagar los daños a los afectados.
El hombre, de 23 años, fue condenado por el tribunal de instancia de Cottbus (este de Alemania) a pagar una multa de 400 euros por haberse bajado miles de títulos de la página de intercambio on line KaZaa. Además tendrá que pagar 8.000 euros a la Federación alemana de profesionales del disco.
Cerca de 6.000 ficheros de MP3 y más de un millar de títulos copiados en una centena de CDs fueron requisados en el domicilio del joven. Su identidad fue desvelada al tribunal por el servidor internet.
"Este primer caso está resuelto. Seguirán otros", declaró el presidente de esta Federación, Gerd Gebhardt. La Federación interpuso 68 denuncias por piratería. La semana pasada, la policía se incautó en casa de un profesor de 57 años de dos ordenadores con un millar de títulos, mientras que el hombre no tenía más de 25 CDS originales.
La industria de la música lanzó una batalla contra los usuarios de sitios de intercambio en internet ante la caída del volumen de negocios que sufre el sector desde hace unos años, y quiere incitar a los amantes de la música a inclinarse por los sitios musicales de pago.
En 2003, unos 600 millones de títulos fueron descargados de internet, según las estimaciones.
Retirado de: http://actualidad.lycos.es/afp/noticias/noticia.php?file=040608154009.h9l2jmf1
Abraços piratas
Tottem
terça, uma da matina
Macunaimando
Estava conversando com meu censor... ele me disse que eu estava ficando muito óbvio e que, por isso, iria "tarja-pretear" meu texto.
Meu censor ordenou-me que fechasse a boca e escondesse meus milhares de dentes podres. Ordenou-me que só usasse a boca pra rir. Mas que não era pra rir muito. Só dar umas gargalhadas de vez em quando - assim... como que para agradar quem fala alto. Meu censor pediu-me para dar o bote somente quando o carnaval chegar e que, por enquanto, eu fosse xingando em nagô. E eu vou:
"você que fuma e nao traga
e que nao paga pra ver
vou lhe rogar uma praga
eu vou é mandar voce
pra tonga da mironga do kabuletê"
salve, poetinha
tottem
Quarta, 2 de junho de 200413:57
Umbigo (Lenine - Falange Canibal)
Umbigo, meu nome é umbigo
gosto muito de conversar comigo
umbigo, meu nome é verdade
sou o dono do mundo, rei da cidade
umbigo, meu nome é umbigo
quem está contra mim também está comigo
umbigo, meu nome é certeza
só é real o que convém à realeza
umbigo, meu nome é guru
eu caí do céu foi pra mandar em tu
sábado, 29 de Maio de 2004,24:12
Procurem Lula Queiroga.
mt bom.
recado para ingleses de plantão
"Torcida inglesa
amor para os brutos
vida longa para os mortos
telenovela para o povo
pérola aos porcos
jardineiros do saara
camponeses do asfalto
vendam mulatas
trafiquem araras
torcida inglesa
MUTUÁRIOS DO LIMBO
mudem a semana
digam não ao domingo
lágrimas de crocodilo
coração de silicone
ócio para as máquinas
paz na terra para a terra
estatutos do CAOS
guerra no pacífico"
"deixa que eu chuto
deixa o último minuto
da história pra mim"
abraço
tottem
sexta, 28 de maio de 2004,15:04
Nada de novo no front
tottem
Thursday, May 27, 200401:48 p.m.
buenas...
não sei se xingo ou se agradeço ninguém.
Pensando em Foucault... lendo as palavras e as coisas de "As palavras e as coisas":
a desleitura de Borges a respeito de tudo; a desleitura de Foucault a respeito da desleitura de Borges é mergulho no que era, antes, o oco da linguagem; a vida e a história ordenados pelo código. preceitos e preconceitos construídos imaginariamente.
?Signo: a atribuição material de algo abstrato?
?Há uma ordem lógica no caos, ou um caos na ordem lógica?
?A ordem tem lógica?
Taxionomia chinesa neles!
um abraço aos vermes que devorarão indiferentes as carnes.
totem
Comentários:
Thursday, May 27, 200401:33 a.m.
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